Bem Me Quer Lança O Guia De Prevenção, Adesão E Direitos

Projeto Bem Me Quer comemora 21 anos com lançamento do Guia de Prevenção, Adesão e Direitos

A ONG Projeto Bem Me Quer lançou na manhã dessa sexta-feira (1), o Guia de Prevenção, Adesão e Direitos elaborado para responder perguntas básicas sobre HIV/aids. Usando linguagem simples e descomplicada, o material não é destinado exclusivamente às pessoas vivendo com HIV/aids, embora tenha orientações importantes sobre sua saúde e seus direitos. Ele também pode ser utilizado por profissionais da saúde, jovens, educadores e pessoas que tenham interesse em saber mais sobre o tema. "O objetivo é construir uma ferramenta que leve informações fundamentais para enfrentar os desafios estruturais que vão muito além da saúde física." Durante o evento de lançamento, Artur Kalichman, coordenador do Programa Estadual DST/Aids-SP, reforçou que o direito à saúde é um dever do Estado. “Passou-se muito tempo e ainda há conversas sobre novas tecnologias, mas se não houver um serviço público de saúde, uma política que organize a oferta dessas tecnologias de maneira adequada, não funciona. A gente, enquanto sociedade civil, precisa olhar para o lado e ser solidário, mas isso não implica que não precisamos batalhar no plano político, nos contextos mais desafiadores.” Segundo Artur, a aids, hoje, é uma demonstração de falha. "Porque demonstra que a pessoa ou não fez o teste, ou não teve acesso ao serviço e ao tratamento, e isso é uma falha muito grande". Artur também chamou atenção para a desigualdade social ao se observar os índices da infecção. “Os números mostram que os gays brancos estão acessando o teste e o tratamento, ao contrário dos gays pretos. Essa realidade mostra que o preconceito e a perda de direitos sociais é uma combinação perigosa e o trabalho de projetos como o bem me quer são muito importantes nesse contexto.” Cláudio Pereira, presidente do Grupo de Incentivo à vida (GIV) e coordenador do Movimento Paulistano de Luta Contra Aids (Mopaids), enfatizou a importância de falar em direitos e prevenção “sem cair nas falácias que dizem que a epidemia está controlada e que basta tomar o remédio e está tudo bem." Representado o Fórum de ONGs Aids de São Paulo (Foaesp),  Paulo Giacomini disse que a epidemia não tem preconceito, basta que as pessoas não tenham informação. Ele acredita que quanto mais distante dos centros urbanos e quanto menor a escolaridade, menores são as condições de assimilar as informações disponibilizadas. Ele acrescenta "é preciso trazer de volta para o boletim epidemiológico a escolaridade e, se possível, de renda, porque isso é um indicador social." Em fala emocionada, José Roberto Pereira, o Betinho, presidente do Projeto concluiu a apresentação com números alarmantes. “Hoje 34 pessoas morrerão de aids, 96 pessoas serão infectadas pelo HIV. Isso não é pouca coisa quando temos todos esses recursos. É inaceitável que em determinadas populações 15% de prevalência pra hsh, para a populaçao trans 30 % de prevalência. por conta do descaso governamental e do fundamentalismo religioso que esquece que são brasileiros, que tem direitos como todos. é inaceitável que  as campanhas não sejam direcionadas. se for gay, tem um prevalência, se for gay preto tem uma prevalência maior, e se for gay preto e pobre ele morre.   21 anos de projeto Margarete resgatou a quantidade de atividades oferecidas pelo projeto que foram aumentando ao longo do tempo. São workshops, cursos temáticos que forneceram informações sobre prevenção e adesão ao tratamento. Hoje, o Bem Me Quer tem 22 mil preservativos distribuídos em seus projetos de prevenção, além das diferentes atividades que incluem rodas de conversa, yoga, papo jovem, palestras e oficinas de trabalhos manuais. Além disso, agora também desenvolve projetos de combate as hepatites virais. Padre Conrado, psicanalista e assistente espiritual do projeto disse que é preciso humanizar a vida sexual. "As vezes parece que sexo tem que ser feito, uma atuação necessária que ninguém pode impedir.  Há que se inserir dentro da vivência humana e pessoal, não apenas atuar como objeto de descarga. O desejo sexual não é feito para resolver angustia, frustrações, para resolver questões de solidão, mas é uma complementação pessoal enriquecedora.”   Você pode acessar o guia aqui   Jéssica Paula (jessica@agenciaaids.com.br)