ONGs vão avaliar qualidade dos serviços de DST/aids em São Paulo por meio de cartografia social

via Agência de Notícias da Aids 

18/02/2016 - 15h

  

Pessoas vivendo com HIV/aids  usuárias dos serviços público de saúde e ativistas da luta contra a doença na cidade de São Paulo estão empenhadas em desenvolver mapas geográficos sobre a qualidade do atendimento no município. Trata-se do projeto Cartografia Social, de iniciativa do Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp). Espécie de desenhos da realidade vivida, essa cartografia, tem por objetivo detectar possíveis violações de direitos nos postos de saúde e, assim, saber quais são os impactos na vida dos soropositivos.

“Queremos contribuir para com a humanização dos serviços e para um atendimento equânime para todos os usuários: sejam usuário de drogas, profissional do sexo, travesti, negro. Todos têm o mesmo direito como cidadãos e cidadãs”, explicou o supervisor técnico do Cartografia Social, o ativista Betinho Pereira, integrante do Projeto Bem-Me-Quer e do Foaesp.

Estão entre as metas do projeto identificar, mapear e georreferenciar possíveis violações de direitos contra as pessoas vivendo com HIV/aids em pelo menos dez SAEs (Serviço de Assistência Especializada em HIV/Aids). A proposta, viabilizada por intermédio de edital do Programa Municipal de DST/Aids da cidade,  foi apresentada na última reunião do Foaesp, na segunda-feira (18). “Queremos que as ONGs conheçam a ferramenta e repliquem a ideia em seus municípios. Este é um projeto em que cada ONG pode readequar as aplicabilidades da cartografia social para a realidade de suas comunidades”, disse o presidente do Foaesp, Rodrigo Pinheiro.

Ainda, na opinião de Betinho, este é um projeto inovador. “Pela primeira vez o controle social será realizado exclusivamente pelos usuários dos serviços e não por especialistas de ONGs e da sociedade civil organizada”, destacou Betinho. “Como sabemos, essa população é bem simples e a abordagem da qualidade do atendimento por meio da cartografia social é capaz de identificar desafios e oportunidades de forma simples e lúdica”, completou.

Neste momento, o projeto é desenvolvido em parceria com o Projeto Bem-Me-Quer. Conta com a colaboração de Fransérgio Goulart, especialista em cartografia social, e de Alexandre Viola, sociólogo do Bem-Me-Quer. No próximo ano, será a vez do GIV (Grupo de Incentivo à Vida) estar à frente do trabalho junto ao Foaesp.

Desenvolvimento

Para reunir todas as informações e identificar os problemas na cidade, o Foaesp está criando no Mootiro Maps - uma ferramenta da web que vai disponibilizar informações on-line sobre os serviços de saúde e a análise da qualidade do atendimento a partir das cartografias e narrativas dos usuários. A ferramenta faz o georreferenciamento e, segundo o Foaesp, é capaz de amplificar os relatos das pessoas vivendo com HIV atendidas nas unidades. O Mootiro Maps é um aplicativo de acesso público e pode ser visualizado por quem desejar, como as ONGs e os gestores públicos.

Está prevista ainda a produção de cartilhas com temas relacionados ao projeto: como direito do SUS (Sistema Único de Saúde), racismo institucional, homofobia, usuários de drogas nos serviços, entre outros.

“Vamos procurar manter um diálogo aberto com as coordenadorias regionais de saúde e informar periodicamente os apontamentos apresentados pelos usuários das unidades de saúde”, contou Betinho.

  

ONGs envolvidas

Neste momento o Foaesp optou por envolver no projeto ONG que atuam na região norte, no centro e na região oeste da capital, como a Alivi, o Gapa, o É de Lei, a Ânima e o Centro de Referência da Diversidade. Mas qualquer ONG que queira participar será bem-vinda.

O projeto vai durar dois anos e logo no fim do primeiro ano haverá um seminário. Todos os envolvidos vão se reunir para avaliar os primeiros resultados das atividades.

HIV entre jovens

Outro assunto levado à reunião do Foaesp foi a incidência de HIV/aids entre a faixa de idade que vai dos 15 aos 24 anos. Quem falou sobre o tema foi o médico Artur Kalichman, coordenador adjunto do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo. O presidente do Foaesp, Rodrigo Pinheiro, pediu a Artur explicações sobre os últimos dados da epidemia no estado, principalmente os que se referem aos jovens. “Tem muita gente morrendo no primeiro ano de diagnóstico”, afirmou Rodrigo.

Artur disse estar preocupado com um dado que aponta aumento da mortalidade em decorrência da aids entre os jovens,  especificamente no período entre os anos 2012 e 2013.

“De 2007 a 2013, os óbitos na faixa dos 15 aos 24 anos, no geral, diminuíram no estado de São Paulo. Registramos 115 mortes em 2007 e 107 em 2013. Mas passamos de 80 óbitos em 2012 para 107 em 2013. Ou seja, 30% de aumento em um ano”, explica Kalichman. “É sobre esse dado que nos debruçamos. Vamos fazer um estudo para descobrir a causa. Se é falha na prevenção, abandono de tratamento, dificuldade de acesso aos serviços.”

Artur lembrou que esse aumento é registrado em maior quantidade entre os jovens gays, seguindo as estatísticas oficiais que mostram maior vulnerabilidade dessa população. “Entre 15 e 19 anos, a taxa de incidência passou de 2,4% em 2007 para 5,8% em 2014. As pessoas começam a atividade sexual mais cedo hoje e, consequentemente, estão se infectando mais cedo. Mas é preciso estudar mais para fazer uma avaliação cuidadosa.”

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista

Foaesp

Tel.: (11) 3331-1284

Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo

Tel.: (11) 5087-9907

*Crédito das fotos: Betinho Pereira - 1ª Foto: Apresentação do Projeto durante reunião do Foaesp. 2ª Foto: Oficina com os usuários no Projeto Bem-Me-Quer

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